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Skyline...

October 27

JANIELA

 

 

Há alguns meses, não me recordo ao certo, estava assistindo a uma reapresentação de um dos programas do “Profissão Repórter”, com o Caco Barcelos, num domingo de manhã.

 

O que pensar de alguém que se chama JANIELA? Sim: Janiela! De onde os pais tiraram este nome? Coisas do Cafundó. Não o do Judas, mas Cafundó do Ceará. Sim, esta cidade existe! Não conhecia? Tudo bem, nem eu.

 

Diante de um nome que remete imediatamente à idéia de janela, eu penso que a Janiela e a janela têm muito pouco em comum além da semelhança sonora.

 

Janelas sempre me fazem pensar em possibilidades, em olhares que trespassam o que se pode ver e nos levam ao céu, um céu que faz tudo ficar infinito, como dizia Cazuza em versos e melodia.

 

Já pequena e franzina Janiela acaba de completar doze anos. Tenho minhas dúvidas se esta criança viveu esses doze anos ou apenas sobreviveu ao longo de dias quentes e vazios. Em seu aniversário, não houve bolo, nem presente. A refeição do dia em sua casa foram feijões cozidos. Uma ração porção, servida em uma caixa plástica que outrora fora embalagem de goiabada, coberta por uma sombra de farinha de mandioca.

 

Sua mãe informa que a única coisa que eles têm para comer hoje. Questionada pela jornalista sobre outros alimentos, ela informa que só os compra quando sai a 'Bolsa Família'.

 

Apesar disto, Janiela tem outros quatro irmãos, todos mais novos que ela e dos quais ela ajuda a cuidar.

 

A família mora desde sempre no Cafundó. E eu que pensava que Cafundó era mera expressão popular, me vi, repentinamente, diante daquela imagem literal da coisa.

 

O futuro da pequena Janiela parece ser de poucas perspectivas. É muito provável que sua vida seja uma repetição do modelo que ela tem em casa. Lamento por Janiela. Ela é mais uma vítima na História do Brasil.

 

Seguimos depois de mais de 500 anos sendo um país que investe pouco e mau em educação e, a despeito do propalado 'crescimento econômico', vivemos em meio a uma população que está mais para o Cafundó em questão do que para os Jardins Paulistas ou o Lago Sul, em Brasília.

 

Lamento pelas Janielas da vida e culpo nossos governos assistencialistas, por encorajar bolsas miséria, em vez de investir em educação; culpo o nosso povo, porque permite que essa situação seja perpetuada sem exigir mudanças. Educação que teria levado os pais de Janiela, em face da vida extremamente precária que levam, a jamais terem tido cinco filhos. Não porque uma lei restringisse o número de filhos por família, mas porque compreenderiam que é uma irresponsabilidade enorme ter filhos sem as condições mínimas necessárias para criá-los. E não: uma família que só pode comprar os alimentos da casa quando sai a 'bolsa família' não tem condições de ter filhos.

 

Lamento pelas Janielas que têm poucas chances de um futuro melhor e que, inevitavelmente, serão algum dia como seus próprios pais.

 

Para quem não teve oportunidade de ver o programa, segue abaixo o link:

 

http://especiais.profissaoreporter.globo.com/programa/2009/06/08/nesta-terca-os-isolados/

 

 

 

October 09

zzzzzzzzzzzzz

Detesto o fato de ser desorganizada.
Raramente perco minhas coisas. Tenho toda uma metodologia: minha bagunça é organizada.
Entretanto, eventualmente, algo desaparece e aí.. horas de esforço tentanto encontrar aquele algo que, se estivesse guardado num local certinho e determinado, não teria desaparecido.
Na maioria das vezes, consigo encontrar o que procuro. Depois me xingo pelo tempo perdido!
Dizem que cachorro velho não aprende truque novo.
Deus! Eu sou um cachorro velho!!!!!!!!!!!!!!!!! Essas coisas acontecem e eu não aprendo!
O pior mesmo é quando aquela coisa, que naquele momento é o objeto da minha angústia, não aparece. Foi o que se deu hoje.
Quase três horas procurando uma conta de água malvada que sismou em desaparecer. Tá, você vai dizer: "por que não entrou no site da companhia de água e pediu outra?" E eu responderei: porque a velhice é uma merda!
Eu queria achar a porcaria da conta paga.
Tive de dar o braço a torcer. Não sei onde a coloquei. Na verdade, tenho quase certeza de não a ter visto nos meus sítios de "bagunça organizada" ahahah...
A vantagem é que acabei fazendo uma faxina na papelada, que sempre se multiplica em uma velocidade muito maior do que a minha capacidade de eliminá-la.
Cansada, de saco cheio, entrei no site da companhia de água e imprimi uma segunda via com os dizeres em letras garrafais: ´"DÉBITO PAGO".
 
 
 
September 24

É primavera!!!!!

"Há uma primavera em cada vida: é preciso cantá-la assim florida..." (Florbela Espanca)
 
 

Na Varanda

O Teatro Mágico

Composição: Fernando Anitelli
 

Na varanda
Onde o ar anda depressa
Vai embora na conversa
Nossa pressa de ficar

Na varanda
Onde a flor se arremessa
Onde o vento prega peça
Nos traz festa pelo ar

Na varanda
A criança se debruça
Mãe, menina ainda fuça
Nos cabelos a ninar

Na varanda
Onde a lua se levanta
Nossa rede se balança
Serenata pra acordar

Joga a trança
Busca o chão e não o céu
Qual barquinho de papel
Sonha ir de encontro ao mar (2x)

E a noite vem
Sendo o descanso do sol
E a ponte vem
Sendo a distancia de quem tá só

Um sol
Com a cabeça na lua
A lua que gira, que gira, que gira...

E a noite vem
Sendo o descanso do sol
E a ponte vem
Sendo a distancia de quem tá só

Um sol
Com a cabeça na lua
A lua que gira, que gira, que girassol

 

 Feliz Aniversário, Primavera!!!!

 

 
 
September 23

em momento de equinócio....

 

No mês passado, mais precisamente no dia 11 de agosto, os anéis de Saturno ficaram escondidinhos. A cada quinze anos isto acontece. Na verdade, duas vezes por ano no calendário de Saturno, período que, em nossas contas, duraria trinta anos. É um bocadinho de tempo para nós humanos. Quando isto acontecer novamente, muitas águas terão passado em minha vida.

O equinócio de Saturno, momento em que o sol corta o equador celeste daquele planeta, fazendo seu dia ter precisamente duas metades iguais, esconde-lhe os anéis, que, apesar do diâmetro imenso, cerca de duzentos e setenta mil kilômetros, possuem apenas dez metros de espessura, cada. Mas é apenas uma ilusão, uma sombra, por um breve momento Saturno parece despido, mas seus bambolês estão lá.

Assim também é a nossa vida, às vezes. Pensamo-nos despidos de características e sentimentos que sempre nos foram peculiares. Às vezes meio perdidos, sem saber o que fazer. Entretanto, essas características e sentimentos estão lá, impregnados em nossa alma, guardados em algum cantinho de nossos seres, esperando para serem novamente despertados. É preciso força e lucidez para seguir em frente, e o primeiro passo para isso e um olhar profundo dentro de nós mesmos.

Saturno não é o mesmo sem os seus anéis. Também nós não somos os mesmos quando o que temos de melhor encontra-se escondido, em período de equinócio.

   

 

 

 

September 20

em momento de samba...

Hoje, pela manhã, ao tomar café da manhã estava assistindo "Sarau" com o Zeca Pagodinho, Dudu Nobre e outros.
Ando numa fase de samba.... deu-me saudades do passado.. do Rio dos áureos tempos... de praia tranquila....
 
Momento especial foi ouvir "Coração em Desalinho", música pra tirar o chapéu....e fazer reverência....
Deixo abaixo a letra que encantou a minha manhã...
 

Coração em Desalinho

Zeca Pagodinho

Composição: Mauro Diniz-Ratinho

 

"Numa estrada dessa vida

Eu te conheci

Oh Flor!

Vinhas tão desiludida

Mal sucedida

Por um falso amor...

 

Dei afeto e carinho

Como retribuição

Procuraste um outro ninho

Em desalinho

Ficou o meu coração

Meu peito agora é só paixão

Meu peito agora é só paixão...

 

Tamanha desilusão

Me deste

Oh Flor!

Me enganei redondamente

Pensando em te fazer o bem

Eu me apaixonei

Foi meu mal...

 

Agora!

Uma enorme paixão me devora

Alegria partiu, foi embora

Não sei viver sem teu amor

Sozinho curto a minha dor..."

 

 

 

 

 
 
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